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Multimodal na prática: quando combinar rodoviário, ferrovia e cabotagem
Multimodal na prática: quando combinar rodoviário, ferrovia e cabotagem
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A logística multimodal deixou de ser apenas uma alternativa para grandes volumes e passou a ser uma ferramenta estratégica de redução de custos e aumento de previsibilidade. Em um cenário de fretes pressionados, restrições urbanas e busca constante por eficiência, combinar rodoviário, ferrovia e cabotagem pode gerar ganhos relevantes desde que a decisão seja bem estruturada.
Na prática, o multimodal não é a escolha “mais barata” por padrão, nem a mais rápida. Ele exige análise criteriosa de custo total, leadtime, riscos operacionais e perfil da carga. Este artigo apresenta critérios objetivos para decidir quando o multimodal faz sentido, além de exemplos práticos por setor.
O que é multimodal (e o que ele não é)
Multimodalidade não significa substituir totalmente o rodoviário.
Na maioria das operações, o rodoviário continua sendo essencial, especialmente no primeiro e no último trecho (first mile e last mile).
Na prática, o multimodal funciona como uma combinação inteligente de modais, onde cada um é utilizado no trecho em que é mais eficiente:
- Rodoviário: flexibilidade e capilaridade
- Ferrovia: grandes volumes, longas distâncias e menor custo por tonelada
- Cabotagem: estabilidade de custo e eficiência em corredores costeiros
O erro comum é avaliar cada modal isoladamente. O acerto está em olhar o fluxo completo da origem ao destino.
Critérios de decisão: quando o multimodal faz sentido
Antes de qualquer mudança, o gestor precisa responder a algumas perguntas-chave.
1. Distância e volume
O multimodal tende a gerar ganhos quando há:
- longas distâncias
- volumes recorrentes
- fluxo previsível
Cargas pequenas, esporádicas ou muito fragmentadas raramente compensam a complexidade.
2. Perfil da carga
O multimodal funciona melhor para cargas:
- não urgentes
- menos sensíveis a variações de lead time
- com boa estabilidade física
- embaladas para múltiplos manuseios
Cargas extremamente urgentes ou muito frágeis exigem cautela.
3. Lead time aceitável
Multimodal quase sempre implica lead time maior que o rodoviário puro.
A pergunta correta não é “é mais rápido?”, mas sim:
O lead time atende ao SLA do cliente?
Se a resposta for sim, o custo menor pode justificar a escolha.
4. Custo total, não apenas o frete
O custo precisa ser avaliado de forma integrada, considerando:
- frete por modal
- custos de transbordo
- armazenagem intermediária
- seguros
- risco de avaria
- capital empatado pelo maior lead time
Em muitos casos, mesmo com transbordos, o custo total ainda é inferior ao rodoviário exclusivo.
5. Risco operacional
Quanto mais modais envolvidos, maior a necessidade de:
- planejamento
- controle
- monitoramento
O multimodal exige maturidade operacional para evitar atrasos, perdas de visibilidade ou rupturas no fluxo.
Rodoviário + Ferrovia: quando usar
Essa combinação faz sentido quando:
- há grandes volumes
- distâncias longas
- origem e destino próximos a terminais ferroviários
Vantagens
- custo menor por tonelada
- menor impacto de combustível
- previsibilidade em rotas consolidadas
Pontos de atenção
- menor flexibilidade
- dependência de janelas ferroviárias
- necessidade de bom planejamento do first e last mile
Rodoviário + Cabotagem: eficiência em corredores costeiros
A cabotagem é especialmente eficiente para fluxos entre regiões distantes do litoral, como Sul–Sudeste–Nordeste.
Vantagens
- custo mais estável
- menor exposição à volatilidade do diesel
- boa capacidade para grandes volumes
Pontos de atenção
- lead time maior
- dependência de programação portuária
- necessidade de controle rigoroso de prazos
Multimodal completo: rodoviário + ferrovia + cabotagem
Essa combinação aparece em operações mais maduras eestruturadas, com:
- volumes altos
- planejamento de médio e longo prazo
- forte foco em redução de custo logístico
Aqui, o sucesso depende menos do modal em si e mais da orquestração do fluxo.
Casos práticos por setor
Indústria de base e commodities
- grandes volumes
- baixa urgência
- foco em custo por tonelada
👉 Multimodal é altamente indicado.
Varejo e bens de consumo
- equilíbrio entre custo e prazo
- uso comum de cabotagem para abastecimento de CDs
👉 Multimodal funciona bem para transferências entre centros.
Agronegócio
- sazonalidade
- longas distâncias
- margens sensíveis ao frete
👉 Ferrovia e cabotagem são estratégicas quando bem planejadas.
Construção pesada
- cargas volumosas
- menor sensibilidade a lead time
👉 Multimodal reduz custo e desgaste do rodoviário.
Principais riscos do multimodal e como mitigá-los
Os riscos mais comuns incluem:
- falhas de sincronização entre modais
- perda de visibilidade
- atrasos em transbordos
- aumento de avarias
- comunicação ineficiente entre operadores
A mitigação passa por:
- planejamento detalhado
- contratos claros
- indicadores de desempenho
- acompanhamento ativo do fluxo
- parceiros com experiência operacional
Como a Emtel apoia decisões multimodais
A Emtel atua no apoio estratégico à logística multimodal, avaliando cada operação de forma integrada. Isso inclui:
- análise de fluxos e volumes
- simulação de custos por modal
- comparação de cenários rodoviário x multimodal
- avaliação de lead time e riscos
- definição do mix mais eficiente
- apoio no planejamento do first e last mile
- visão orientada a custo total e nível de serviço
O objetivo não é “forçar” o multimodal, mas indicar quando ele realmente gera resultado.
Conclusão
Multimodal não é solução universal, é solução estratégica.
Quando bem aplicado, ele reduz custos, aumenta previsibilidade e equilibra capacidade logística. Quando mal planejado, gera complexidade e risco desnecessário.
Para o gestor de logística, o desafio é avaliar dados, entender o perfil da operação e escolher a combinação de modais que entregue menor custo total com o nível de serviço adequado.
Quer avaliar se o multimodal faz sentido para sua operação? Fale com a Emtel e solicite uma análise logística integrada.
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